Matando a saudade: Carolina fala do prazer que foi atuar novamente no Brasil!

Em breve passagem pelo país, a atriz, que mora nos EUA com o marido e o caçula, amou Treze Dias Longe do Sol

A atriz – lindíssima – Carolina Dieckmann | <i>Crédito: João Cotta/TV Globo
A atriz – lindíssima – Carolina Dieckmann | Crédito: João Cotta/TV Globo

A minissérie Treze Dias Longe do Sol, da Globo, terminou na semana passada, deixou lições de vida e fez um sucesso enorme.  Parte dele deveu-se à interpretação de Carolina Dieckmann, que deu vida a uma médica, sobrevivente de um desabamento provocado pela imprudência do engenheiro, pai de seu filho. Certamente mais um trabalho marcante para a atriz que, aos 10 anos, enfrentou uma situação parecida e dramática. Ela viu a casa em que morava, no Rio, pegar fogo por causa de um curto-circuito no ar condicionado.  A exemplo da Marion da produção global, ela também aprendeu com o pesadelo: “Entendi que o melhor é viver o presente. Nesta vida nós só temos a gente, mesmo”, pondera a estrela, que superou o trauma com a ajuda da mãe, Maíra Dieckmann.

O fato é que Treze Dias foi importante para Carolina também por promover um reencontro profissional. Entre  caminhões e caminhões de entulho que ajudaram a dar o tom claustrofóbico à minissérie, ela pôde contracenar com o amigo Selton Mello, com quem formou par romântico em Tropicaliente (1994), 24 anos atrás. “Recentemente, um canal fechado reprisou a novela e foi tão lindo nos ver juntos”, diz, derretendo-se.

Apesar de sentir muita falta dos folhetins e de ser uma noveleira assumida, Carol não pretende retornar ao Brasil tão cedo. “Tenho a minha felicidade aqui, mato a saudade assistindo de vez em quando. Vi o capítulo final de A Força do Querer (2017) e chorei como se tivesse acompanhado do início ao fim”, entrega.

Mesmo morando em Miami (EUA) com o marido, o diretor Tiago Worcman, e o filho, José, de 10 anos, a bela deixou um pedacinho do seu coração na capital fluminense. O primogênito,  Davi, do casamento com Marcos Frota, não quis embarcar na experiência de residir em outro país. Pelo menos, por enquanto: “Foi difícil”, assume ela.

 

TITITI – Foi muito tenso ficar “soterrada” na minissérie?

Carolina Dieckmann – A preparação foi intensa, sim... Um trabalho muito minucioso de tentar entender quais as emoções que se passam pela cabeça de alguém que vive uma situação-limite. Ninguém fica o tempo inteiro triste, com fome, com sono ou com sede. Os sentimentos vêm e vão, com certa intensidade. Não dava para chegar lá, em cena, e dizer: “Vamos”. Tudo era muito bem pensado, colocado.

 

Tão difícil quanto uma situação dessas é encarar um fantasma do passado, como a relação mal resolvida de Marion e Saulo (Selton Mello), que nem sabia sobre o filho deles...

Sabe que penso bem diferente dela? As coisas acontecem porque têm de acontecer. Não foi por acaso o encontro deles no momento do acidente. Afinal, o prédio (um complexo hospitalar) podia desabar a qualquer momento, sem ninguém lá dentro. Claro, é do ser humano julgar, arrumar um culpado, mas não adianta. A gente precisa aprender a resolver as questões no momento em que elas nos aparecem, sem deixar para depois, quando um prédio desaba na nossa cabeça (risos).

 

Ainda assim, perdoar, como ela supostamente fez com o Saulo, não é uma tarefa fácil!

É? Eu perdoo bastante. Não há dificuldade em perdoar! Às vezes, claro, a gente precisa se afastar das pessoas (que erraram). Mas isso não significa incapacidade de desculpar, seguir em frente. Às vezes, as coisas não conectam. A gente muda, né? Precisa!
E, de vez em quando, a vida não vai ser de outro jeito se você deixar de ter uma atitude diferente. Nunca se deve achar que a culpa do que nos deixa insatisfeito está no outro. A decisão é sempre nossa, deve começar na gente!

 

Em situações de estresse, como mantém a calma? Curte meditação, ioga...

Sabe que eu nunca gostei de fazer ioga? Tenho dificuldade de controlar a respiração junto com o exercício, então decidi parar. Preciso, primeiro, aprender a respirar. Se conseguir controlá-la e meditar, aí acho que a ioga pode ser um segundo passo. Mas, tudo junto, nunca consegui.

 

Tem fobia de alguma situação ou algo?

Quando estou no elevador e ele está cheio fico com vontade de sair, mas rola certa vergonha de fazer isso, né (risos)? Pratico autocontrole. Não gosto de ficar presa!

 

Pensa em seguir carreira internacional já que está morando em Miami?

Deixa eu te falar uma coisa: só penso no presente. Agora! O futuro a gente não controla. Quem sabe?

 

Rola voltar a morar no Brasil?

Não seria justo com tanta coisa maravilhosa que está acontecendo comigo. Voltei a estudar, estou acompanhando meu filho de perto, cozinho para minha família, posso ficar mais junto do meu marido, esperar ele voltar do trabalho... É tão bom, tão lindo, que agora seria muito injusto falar que quero voltar ao Rio.

 

Fica pendurada no telefone matando a saudade do Davi, que ficou por aqui?

Se tiver uma mãe que consiga falar no telefone toda hora com o filho adolescente, quero conhecê-la. Quero descobrir o que ela fez! Porque eu, ah, não consigo (gargalhadas)!

 

Gosta de ficar sempre produzida ou não?

Não é que não gosto de maquiagem, porque deixa a gente bonitinha, sim (risos). Mas a sensação na pele é horrível. Me sinto muito bem quando estou no banheiro, passando uma buchinha, limpando a cara, sabe (risos)?!

 

Cobra-se demais?

A gente tenta acertar, mas quando erramos, erramos! Tem de assumir e tentar fazer diferente. Não sou alguém que vive apenas de “acertos”, mas uma mulher que sempre tentou fazer as coisas do melhor jeito. Alguém de verdade, sabe? Nunca fui incompleta, sempre inteira. Estou aqui e ponto final!

 

A maternidade lhe ensinou essa lição?

Eu já era assim, trago desde sempre. Quando era muito nova e minha casa pegou fogo, percebi que não dá para controlar o futuro. Naquele dia, saí para ir à escola e, quando voltei, não tinha mais nada. Desde muito cedo, aprendi a dimensionar o tamanho que as coisas têm em nossa vida.

11/02/2018 - 18:00

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